Armadilha do Preço

Preço é tudo numa Compra ou Contratação?

Cenário

Imagine a situação: você está cotando fornecedores para fornecer material e aplicar revestimento de fachada de um prédio que está construindo.

A ABNT NBR 15.575:2013, para o sistema-elemento-componente “Revestimento de Paredes / Piso e Tetos” de “Paredes Externas / Fachada”, sugere o prazo mínimo de garantia de 3 anos para “infiltração decorrente do mau desempenho do revestimento externo da fachada”.

Logo, a responsabilidade sobre o desempenho do revestimento da fachada é, muitas vezes, maior que a duração da própria obra. Também a fachada está sujeita a intempéries. Portanto, não é difícil concluir que é um item de extrema importância.

Planejando a Compra

Ao planejar Suprimentos/Aquisições (Compras e Contratações), queremos proteger o custo da obra através de preços baixos. É natural que o preço tenha papel central, mas, para este item do nosso cenário, com todo esse risco e responsabilidade, PREÇO não é tudo.

Um bom plano de suprimentos deveria considerar que a empresa executora teria que possuir Capacidade Técnica comprovada para minimizar erros de execução. E, caso houvesse problemas durante a garantia, a empresa executora deveria ter Capacidade Financeira para honrar o reparo durante o período de garantia.

Tabela de Ranqueamento de PropostaTabela de avaliação de propostas.

Na tabela de avaliação de propostas, Preço tem peso de 20% do total, Capacidade Financeira tem peso 30% e Capacidade Técnica tem 50%!

Foram recebidas 7 propostas e o departamento de Suprimentos deu notas de 1 a 4 para cada uma dessas três dimensões (sendo nota 4 para o melhor conceito e 1, para o pior). Multiplicando as notas pelos pesos, obtemos um Score para cada proposta e fica fácil determinar a proposta campeã.

Conclusão

A proposta vencedora foi a Proposta 04 (PROP04), que não era a de menor preço, mas, com certeza, é a que tem maior probabilidade de atender plenamente à necessidade do empreendimento.

O que é planejamento de obras?

O que é planejamento de obras?

Saiba o que é planejamento de obra e qual sua importância para o sucesso dos empreendimentos

 

Introdução

Sem dúvida, em menor ou maior grau, os conceitos de gestão estão presentes em todas as organizações. O que às vezes dificulta nosso entendimento é que nem sempre as nomenclaturas usadas são as mesmas; costumam mudar bastante de empresa para empresa.

Para complicar, existem termos, como “planejamento”, “qualidade” ou “orçamento”, que são usados ora para nomear ora departamentos, ora processos, ora relatórios.

 

Planejamento de Obras

Planejamento é um desses termos amplamente aplicados em muitas facetas de um negócio. Na maioria dos setores, departamentos de Planejamento, se referem às funções de “planejamento financeiro”, “planejamento estratégico” ou “orçamento organizacional”.

Isoladamente, “Planejamento” quer dizer pensar e definir COMO fazer, sendo o “Plano” o resultado do planejamento. Já o termo “obra” se refere à etapa de execução de um produto de um empreendimento de construção.

Juntando tudo, “Planejamento de Obra” é definir COMO executar o produto de um empreendimento de construção civil.

Planejamento

Planejamento define o COMO: o caminho e sua margem aceitável.

 

Em outras palavras: “Planejamento de Obra” é, para cada período de tempo desejado (dia, semana, mês, ano), definir tudo o que deve ser feito, quem deverá fazer, quando cada coisa deverá ser iniciada, a que velocidade deverá ser executada, com quais insumos, e quanto deveremos gastar em cada coisa.

Para produzir essas informações, as construtoras e incorporadoras apresentam departamentos inteiros de Planejamento (nas empresas de grande estrutura fixa) e consultorias terceirizadas (é comum vermos uma parte do trabalho do planejamento sendo terceirizada para agilidade e oxigenação de ideias na empresa). Esses departamentos e consultorias de planejamento possuem algumas ou muitas das seguintes atribuições:

  • fazer a viabilidade econômico-financeira de determinado produto;
  • elaborar o fluxo de caixa do empreendimento;
  • pesquisar de soluções executivas para utilizar em determinados produtos;
  • realizar a coordenação de projetistas;
  • elaborar memoriais descritivos;
  • fazer o orçamento analítico da obra;
  • fazer o cronograma de atividades da obra;
  • desenvolver produtos imobiliários;
  • elaborar layout de canteiro de obras;
  • fazer o cronograma de compras e contratações da obra;
  • elaborar o plano de qualidade da obra;
  • elaborar planilha de controle de serviços e materiais;
  • e a lista se estende…

 

Importância do Planejamento

O que vimos até aqui demostra um grande esforço para se gerar planos o planejamento de obra, então, por que todo esse esforço se o planejamento de obra em si não produz uma parede sequer que possa ser entregue ao cliente? Afinal, quem faz o trabalho que pode ser usufruído por um cliente é a equipe de execução da obra, que transforma o que foi planejado em produto.

O fato é que o plano é o que norteia o trabalho da equipe executora da obra para que o produto seja construído. E como o produto é caro e o tempo de construção é longo, investimos esforços no planejamento: porque há pouco espaço para tentativa e erro.

Para realmente enxergar o valor do planejamento, ainda falta acrescentarmos dois componentes nessa estória. No meio do caminho, antes de termos o produto final, para todas as pessoas envolvidas tomarem ciência de que a execução está fazendo um bom trabalho, unir-se-ão ao Planejamento, o Monitoramento e Controle. Entra em cena o famoso “Planejado X Realizado”.

Monitoramento e Controle

MONITORAMENTO mede onde estamos – CONTROLE age para manter dentro das margens.

 

O monitoramento trata de medir algumas variáveis do que foi efetivamente realizado pela execução e de comparar seus valores com os valores que o plano dizia que deveriam estar desempenhando.

Em seguida, o Controle de obra implementa ações a serem realizadas para que o desempenho da obra não saia dos limites desejados. Ou seja, o Controle de obras atua quando o monitoramento apresentar:

  1. diferenças entre o que foi realizado e o que que foi planejado, ou;
  2. tendências de que o desempenho da obra possa sair fora de controle em breve.

 

Softwares, Sistemas e Ferramentas

Sim, é recomendável o uso de softwares e ferramentas. Hoje temos todo tipo de sistemas e dispositivos e existem milhares sendo criados e aprimorados. Com mais facilidade de acesso e custos diminuindo, a tecnologia agiliza e economiza.

A única ressalva é que, se sua empresa ainda não tem todos esses processos integrados, ela não pode se beneficiar totalmente de sistema algum, por melhor que este seja. Muitas empresas sabem que podem fazer melhor e partem direto para a aquisição de um sistema, na esperança de que ele resolva todos os problemas. Isso pode acabar piorando tudo, porque a implantação de um sistema demanda muito esforço, conhecimento e dinheiro.

Portanto, use softwares, sistemas e ferramentas, mas, antes, integre seus processos de planejamento, monitoramento e controle de obras e tire o máximo da ferramenta.

Em tempos de Coronavirus, isso só agrega ainda mais valor para as organizações.

 

Conclusão

Possuir processos integrados, completos e robustos de planejamento de obras (e seus “irmãos” monitoramento e controle) já é muito acessível a qualquer empresa: terceirizar está mais simples e a tecnologia está mais acessível.

Buscando a excelência, é impressionante quanta sinergia positiva emerge entre os processos, os departamentos, os consultores, os sistemas de informação, as obras e a organização.

Como recado final, veja em que ponto sua empresa está e construa, além de obras, processos integrados e de excelência.

Assim, você aumentará as chances de sucesso de seus empreendimentos, aumentará o conhecimento e a eficiências de custo e diminuirá riscos.

Pesquisa DataZAP Impactos COVID-19

Pesquisa da DataZAP sobre o impacto do COVID-19 no Mercado Imobiliário

Realizada entre 24 e 29 de março com mais de 1200 profissionais.

Seguem 3 pontos muito interessantes sobre o resultado:

  1. 95% dos profissionais disseram ter sido afetados -> OK, extensão ampla conforme o previsto;
  2. Cerca de 1/4 disseram que clientes correram pra assinar contratos -> curioso: clientes correram pra resolver logo suas situações;
  3. Inversão de papéis: a Indústria está mais pessimista que os Consumidores -> uma eventual retomada pode surpreender positivamente a Indústria!

Enfim, nosso dever é seguir monitorando e nos preparando.

E você, o que vai fazer? Vamos arrumar a casa?

Segue o Vídeo da DataZAP na íntegra com os resultados da pesquisa

O que é GERIC?

O que é GERIC?


O que é, quais os passos para obtenção e qual a importância para o financiamento de empreendimentos imobiliários

 

Introdução

Financiar seus empreendimentos é um tema recorrente nas atas de reunião da alta gestão de Incorporadoras e Construtoras. O uso da tomada responsável de crédito é um recurso precioso e uma composição estratégica que, além de viabilizar o empreendimento, pode fazer com que a rentabilidade de cada investidor do empreendimento aumente.

No Brasil, os bancos públicos se especializaram em oferecer crédito e se tornaram referência para o mercado: o famoso GERIC se consolidou como um importante marco para as organizações que o possuem.

Neste artigo, vamos saber o que é o GERIC, sua importância e as etapas necessárias para sua obtenção.

 

Histórico Brasil e GERIC

O Brasil viveu um período de crescimento no mercado habitacional a partir de 2005 e 2006, sendo que em 2011 pode-se observar o boom da construção civil, com um lançamento desenfreado de empreendimentos imobiliários, apoiados sobre a premissa do crescimento da demanda habitacional, logística/comercial e infraestrutura (os dois últimos em decorrência do desempenho econômico). A economia do país chegou a atingir a sexta posição na classificação das maiores economias do mundo em 2011, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI, 2012).

Incorporadoras e construtoras lançavam empreendimentos no calor do mercado, motivadas pela facilidade de crédito e alta velocidade de vendas, sem se preocupar com o alinhamento do produto oferecido com a demanda de mercado (afinal, a demanda era grande para todos os tipos de produto), com o funding (crédito era facilitado para as empresas) e modelagem econômica. Em resumo, o lançamento de um empreendimento imobiliário significava quase sempre sucesso para as incorporadoras.

Com a desaceleração econômica nos anos seguintes e recente cenário de recessão, idealizar e lançar um empreendimento imobiliário não tem sido uma tarefa fácil, principalmente pelas dificuldades na obtenção de funding (financiamento) para os empreendimentos.

A opção de financiamento a produção apresenta-se como uma das alternativas mais seguras para as construtoras e incorporadoras atualmente, onde a exposição de caixa é reduzida e a taxa de interna de retorno (TIR) consequentemente potencializada.

No horizonte do mercado habitacional, a principal entidade concedente de crédito para as empresas do setor é a Caixa Econômica Federal (CEF) seja na linha habitacional popular (através do programa Minha Casa, Minha Vida) seja na linha médio e alto padrão (através do financiamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE).

Mas, para que uma construtora ou incorporadora consiga acesso ao crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal e se habilite a vender imóveis na planta (o que dá ao cliente uma dupla garantia: a garantia de entrega da construtora e de financiamento da venda e da construção do imóvel pela Caixa Econômica Federal), empresa necessita qualificar-se no sistema de Gerenciamento de Risco de Crédito da Caixa Econômica Federal, popularmente conhecido como GERIC.

 

Etapas para Obtenção

Para a obtenção do GERIC, a Construtora/Incorporadora é submetida a um processo rigoroso de análise de risco da empresa, principalmente nos âmbitos:

  • Contábil/Fiscal: Análise no mínimo dos últimos 3 balanços da empresa;
  • Capacidade de gestão: Comprovar através de uma auditoria técnica da CEF capacidade gestão Administrativa/Financeira;
  • Capacidade técnica: Avaliação do Engenheiro responsável e obras já executadas.

 Os critérios são rigorosos para assegurar a adimplência e as exigências de restrição excluem grande parte das empresas que se submetem a essa análise de Risco para obtenção deste tipo de crédito.

Para mitigar esse risco de exclusão no processo de análise de risco, é importante que as Construtoras/Incorporadoras com estrutura organizacional mais frágil procurem apoio especializado, uma vez que o processo exige o preenchimento de diversos formulários modelos da Caixa e cada documento ou certidão apresentada possui validade específica. Além disso, o trânsito do processo dentro da Caixa tende a ser moroso (comumente, a resposta de uma das etapas demora entre duas e quatro semanas), sendo necessário o conhecimento da dinâmica dos processos para a correta condução dos mesmos.

Uma vez passado e aprovado pelo processo de GERIC da Caixa, a Construtora/Incorporadora passará a ter um limite financeiro financiável pelo banco. Ou seja, ela será capaz de realizar um empreendimento com a tomada desse crédito para apoio à produção adequando-se aos limites desse crédito e conciliando sua exposição de caixa da organização para o empreendimento que deseja construir. Em outras palavras, uma Construtora/Incorporadora “gericada” é elegível a financiar seus empreendimentos através de bancos públicos dentro de seu limite aprovado pelo GERIC.

 

Etapas para o Financiamento do Empreendimento

Uma vez aprovada pelo GERIC, a construtora ou incorporadora pode definir o empreendimento que deseja construir e pode submeter esse projeto/empreendimento à próxima etapa de análise.

Dessa maneira, antes da contratação do efetivo financiamento com a Caixa Econômica Federal, pode-se apontar que o último processo que envolve o GERIC seja a Análise Preliminar de Engenharia. Essa análise busca avaliar os seguintes parâmetros de um empreendimento proposto pela Construtora/Incorporadora:

  • Análise do Entorno do Empreendimento – Integração à sociedade e atendimento das concessionárias de Água, Esgoto e Energia;
  • Plano de Vendas;
  • Impacto financeiro do empreendimento na Organização;
  • Valor necessário a ser financiado pela Caixa Econômica Federal;
  • Capacidade Técnica da Construtora/Incorporadora para execução do empreendimento.

A partir daqui, com a análise do empreendimento aprovada, a empresa “gericada” tem o empreendimento aprovado para financiamento e os recursos são liberados conforme o grupo de compradores interessados comprove individualmente sua capacidade de pagamentos.

 

Conclusão

Em tempos de instabilidade e previsibilidade política e econômica baixas, as Incorporadoras e Construtoras devem se valer de todos os recursos disponíveis para honrar seus compromissos e cumprir sua missão de construir.

E, independente do foco de atuação, o GERIC demostra que a empresa que o possui detém competência técnica e econômica e capacidade operacional e gerencial de desenvolver e realizar seus empreendimentos. Portanto, ser uma empresa “gericada” é um reconhecimento altamente recomendado.

Finalmente, com as incertezas aumentando perante um cenário de coronavirus, devemos estar cientes que a construção civil é um excelente pilar de recuperação econômica e social, pois distribui renda a trabalhadores, sua cadeia direta e sua cadeia indireta.

Quem estiver preparado, sairá na frente!